Manoela Alcântara

Fundação pagou R$ 109,56 por m² ao mês em 2024, 67% acima da média. Contrato da atual sede termina em 2027. Aluguel é de R$ 1 milhão mensal

Pablo Giovanni

20/09/2026 03:02

Reprodução/Direção Concursos

O aluguel da sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Brasília, tem o segundo maior custo por metro quadrado entre nove órgãos federais analisados pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Os dados constam de um relatório da Controladoria concluído no início do mês de agosto. Segundo os auditores, a Funai pagou R$ 109,56 por m² ao mês em 2024.

O valor ficou atrás apenas do registrado pela Infra S.A., de R$ 110,86, e foi 67% superior à média de R$ 65,61 identificada no levantamento.
A sede da Funai funciona no Edifício Parque Cidade Corporate, no Setor Comercial Sul, região central de Brasília. O contrato abrange uma área total de 11 mil m².
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Somados aluguel, de R$ 1 milhão, e condomínio, o custo anual atual chega a R$ 15,57 milhões. Somente com o aluguel, a fundação desembolsou R$ 14,5 milhões em 2024.
A comparação consta de relatório de avaliação finalizado pela CGU em 4 de agosto. Além da Funai e da Infra S.A., foram analisados contratos do Ministério da Pesca e Aquicultura, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Cade e da Anvisa.
Os auditores fizeram ainda uma comparação direta com a Anac, que ocupa andares no mesmo edifício da Funai. Enquanto a fundação pagou R$ 109,56 por m² ao mês, a agência desembolsou R$ 92,96.
Na prática, o valor pago pela Funai foi 17,9% maior, embora os dois órgãos ocupem o mesmo empreendimento, com padrão construtivo e localização semelhantes.
“Caso se opte pela manutenção de imóvel de alto padrão construtivo, essa escolha deverá ser devidamente justificada no planejamento da nova contratação, à luz dos princípios de eficiência e economicidade que regem a Administração Pública Federal”, sugerem os auditores.
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Custo desnecessário
A CGU também identificou um histórico de subocupação da sede. O imóvel foi contratado em 2017 para acomodar cerca de 800 pessoas, número compatível com a força de trabalho da fundação naquele momento.
Em 2019, a Funai contabilizava 605 trabalhadores na sede e projetava ampliar esse número para 979. A expansão, porém, não se concretizou.
Em 2025, a força de trabalho havia caído para 498 pessoas, pouco mais da metade da projeção. Com isso, o índice de ocupação chegou a 14,11 m² por pessoa, acima do limite de 12 m² estabelecido para escritórios da administração pública federal.
Segundo a CGU, o descompasso entre o tamanho da área contratada e a quantidade de trabalhadores gerou um “custo desnecessário” estimado entre R$ 2,17 milhões e R$ 4,34 milhões.
O cenário mudou com a recente recomposição do quadro da Funai. Atualmente, segundo o relatório, 719 profissionais estão lotados na sede.
Elaborado pela CGU a partir das informações disponibilizadas pelos gestores
Pela metodologia aplicada pela CGU, o índice atual é de 12,38 m² por pessoa, ligeiramente acima do teto de referência. A auditoria pondera, no entanto, que não há subocupação relevante no momento e que a chegada de novos servidores deverá normalizar os índices.
Novo contrato
O contrato da atual sede termina em setembro de 2027. Antes de uma eventual renovação, a CGU recomendou que a Funai compare o imóvel com outras opções disponíveis no mercado.
A fundação também deverá avaliar imóveis da União e a possibilidade de compartilhar instalações com outros órgãos. A análise poderá levar em conta gastos com mudança, adaptação e implantação de uma nova estrutura.
“O conjunto dessas constatações assume especial relevância diante da iminência do encerramento do Contrato de Locação nº 17/2017, previsto para setembro de 2027”, cita a auditoria.
O órgão prossegue: “O imóvel atualmente ocupado apresenta o segundo maior custo por metro quadrado entre os órgãos analisados neste trabalho — R$ 109,56/m²/mês —, o que amplifica a materialidade de qualquer decisão sobre a nova contratação.”
A CGU recomendou ainda que a Funai considere o trabalho híbrido no cálculo da área necessária e implemente o compartilhamento das estações antes de decidir se permanecerá no atual edifício.
O Programa de Gestão e Desempenho foi regulamentado pela fundação em novembro de 2024. Na sede, 212 servidores trabalham em regime híbrido parcial, 39 estão em teletrabalho integral e três atuam remotamente do exterior.
Apesar disso, segundo a CGU, a Funai não implementou mecanismos formais de compartilhamento das estações de trabalho. Também não possui indicadores para medir quantas mesas são efetivamente utilizadas ou a presença simultânea de servidores no prédio.

