Política / Eleições 2026

Partido teve a menor taxa de eleitos entre os partidos que não superaram a cláusula de barreira, perdendo para nomes como PSOL e PDT
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Renan Santos (MBL) no debate da Band — Foto: Maria Isabel/Agência O Globo
Renan Santos não alavancou como esperado as demais candidaturas do partido Missão para a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas. Os principais integrantes da legenda recém-criada apostavam na exposição de um nome na disputa pela presidência para atingirem um número satisfatório de deputados estaduais e federais.
Não havia uma meta específica, mas o resultado foi amargo e nem mesmo Renan escondeu o descontentamento, com o partido estreando como um nanico em número de cargos ocupados no país, com apenas dois eleitos. Considerando o número de candidatos versus a quantidade de eleitos, o Missão esteve entre os piores desempenhos das legendas que não superaram a cláusula de barreira e não terão acesso ao fundo eleitoral, como PSOL e Rede, PDT, Avante e Agir (veja mais abaixo).
Renan angariou apenas 2,24% dos votos na disputa para a presidência, cerca de 2,6 milhões de votos, pouco abaixo do esperado nas pesquisas, que chegaram a colocá-lo com 3% das intenções de voto na véspera do pleito. Em live no YouTube logo após o resultado das eleições, o presidente do partido se disse insatisfeito com o número de votos para os poucos candidatos que acabaram eleitos pela legenda.
— O Kim é muito uma exceção, o Kim é o melhor parlamentar do Brasil [...] Acho que dá para ser um dos homens públicos mais completos que existem nessa nação e ele é recompensado com meio milhão de votos... [...] Há um grupo de pessoas que votaram no melhor, tá? Elas votaram no melhor, mas isto é menos de 1/3 dos votos da Erika Hilton (PSOL), isto é, 1/6 dos votos do Lucas Pavanato (PL), isto é menos de 1/6 dos votos do Nikolas (PL) — disse Renan.
Kataguiri, no entanto, conseguiu ampliar seu resultado eleitoral em comparação a 2022. Ele saiu de 295.000 votos para mais de 520.000 neste ano.
— Veja o segundo deputado mais votado da história do Brasil dançando seu funk, torcendo o olhinho para cima (Lucas Pavanato, do PL de São Paulo). Tem algo de brilhante no que ele tá fazendo, eu não sei ainda compreender, mas tem, fato: quem sou eu? Ele teve mais votos para deputado federal do que eu tive para presidente, sacou? Quem sou eu para questionar o que está sendo feito aí? — disse Renan.
A equipe de Renan apostou em uma espécie de “guerrilha digital” ao longo da campanha, em que os apoiadores do Missão foram incentivados a produzirem e compartilharem cortes de vídeos do candidato nas redes sociais em diferentes frentes. Foram impulsionados por um aplicativo próprio da legenda, com tarefas de gamificação para criar uma competição entre os usuários, além de grupos no Discord e um curso que promete ensinar os interessados a monetizar a empreitada.
A aposta era que a candidatura de Santos poderia alavancar os demais nomes do Missão. O entorno do candidato elencou como exemplo as primeiras eleições nacionais do Novo, em 2018, com João Amoêdo, em que ele obteve apenas 3% dos votos para presidente, mas o partido conseguiu eleger oito deputados federais, onze deputados estaduais, um deputado distrital e um governador.
O desempenho do Missão passou longe da estreia do Novo. A legenda foi para as urnas com 483 nomes, considerando todos os candidatos, com postulantes aos governos de nove estados brasileiros, além de candidatos ao senado em São Paulo, Rondônia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná, além de deputado federal e estadual em todas as unidades da federação, com foco maior em São Paulo, Paraná e Pernambuco.
Somente dois nomes foram eleitos, ambos em São Paulo. Kim Kataguiri e o candidato que ele levou a tiracolo ao longo de toda a campanha eleitoral para uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, Rafael Minatogawa.
Kataguiri foi um dos dez deputados federais mais bem votados do país, com 520.071 votos. Sozinho, ele foi responsável por quase 80% dos votos do partido Missão para a Câmara no estado paulista, apesar do partido ter contado com outros 48 nomes tentando uma vaga por SP.
O Missão teve uma das três piores taxas de eleitos entre os partidos que conquistaram vagas, mas não atingiram a cláusula de barreira, levando em conta a relação entre o número de candidatos que a legenda levou para a urna e o número de eleitos, em uma análise feita por O GLOBO. Considerando os 468 candidatos para a Câmara e as assembleias legislativas e os dois eleitos, a legenda teve uma taxa de sucesso de 0,41% entre os postulantes.
Democrata (0,32%), DC (0,17%) e tiveram resultados mais baixos. UP, PCO, PSTU, PCB e PRTB não conseguiram eleger ninguém para o legislativo e, portanto, tiveram 0% de taxa de eleitos. A Federação PSOL/Rede, PDT, a Federação Renovação Solidária, Avante, Agir e Mobiliza se saíram melhor que o Missão, com entre 0,6% e 4,3% dos candidatos eleitos.
Os dados também mostram que a votação de Renan veio principalmente do estado de São Paulo, que respondeu por 30% dos 2,6 milhões obtidos em todo o país, além de Minas Gerais (9%), Rio de Janeiro (7,9%) e Paraná (6%).
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