Lula: ‘Não aceito a ideia de que facções criminosas são terroristas, como diz o Trump’

Presidente defende investimentos em forças de segurança e reforço na defesa das fronteiras porque o líder dos EUA ‘está atrás de minerais críticos e de petróleo. Crédito: Reprodução Youtube @Lula

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Os integrantes da coalização Escudo das Américas divulgaram na terça-feira, 22, uma declaração conjunta para “enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, que prevê a adoção de sanções e outras medidas contra 24 organizações, incluindo as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

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O grupo foi fundado em março, por iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na época, o Departamento de Estado afirmou que os integrantes trabalhariam em conjunto para “desenvolver estratégias que impeçam a interferência estrangeira em nosso hemisfério, as gangues e cartéis criminosos e narcoterroristas, e a imigração ilegal e em massa”.

“Neste dia histórico, nos reunimos para anunciar uma nova coalizão militar para erradicar os cartéis criminosos que assolam nossa região. E vocês têm muitos deles. E uma das coisas: quando estávamos conversando nos bastidores, vocês me falavam sobre o crime, os cartéis. E estamos acabando com eles onde podemos. Vamos agir com mais força”, disse Trump durante a primeira cúpula, realizada em Doral, na região de Miami, na Flórida.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu na terça-feira, 22, com líderes de outros países da coalizão Escudo das Américas. Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP

Foram convidados apenas governos ideologicamente alinhados ao republicano, como Argentina, Chile e El Salvador. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi convidado, assim como o ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que ainda estava no cargo quando a aliança foi criada. Posteriormente, Bogotá entrou no grupo, já sob o governo de Abelardo de la Espriella.
Atualmente, além dos EUA, o Escuro das Américas tem 14 integrantes:
- Argentina
- Bolívia
- Chile
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- El Salvador
- Guiana
- Honduras
- Panamá
- Paraguai
- Peru
- Trinidad e Tobago
Em uma declaração conjunta divulgada na terça-feira, a aliança afirmou que seu objetivo era “fortalecer a resiliência do Hemisfério Ocidental por meio dos três pilares do Escudo das Américas: Econômico, Segurança e Coordenação Multilateral”.
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Os países afirmaram que pretendem defender a governança democrática contra redes armadas de narcoterroristas, inclusive por meio da coordenação de sanções, designações e medidas financeiras contra terroristas e criminosos.
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“Reconhecendo que uma ameaça imediata e compartilhada por todo o nosso hemisfério é aquela representada pelas organizações transnacionais de narcoterrorismo, que ameaçam a paz e a segurança do nosso hemisfério, assim como a segurança, a proteção e a prosperidade de nossos cidadãos, anunciamos hoje a primeira ação conjunta sob os pilares recém-anunciados: ações individuais e coletivas para combater o flagelo do narcoterrorismo”, disseram.
Entre as possíveis medidas a serem adotadas estão bloqueios de ativos, restrições de imigração e vistos para integrantes, associados e apoiadores das organizações, e responsabilização criminal de pessoas que, conscientemente, forneçam apoio material, incluindo apoio logístico, às organizações.
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O grupo afirmou que, para facilitar o cumprimento desses objetivos, pretende solicitar ao presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) a realização de uma reunião de consulta para decidir sobre o estabelecimento de um Órgão de Consulta, nos termos dos artigos 6º e 13º do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).
Além do PCC e do CV, a lista inclui grupos como os venezuelanos Tren de Aragua e Cartel de Los Soles - que o governo Trump já associou ao ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro -, os mexicanos Cartel de Sinaloa e Cartel de Jalisco Nueva Generación e grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
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