Uma falha no sistema de reparo do DNA em células reprodutivas femininas pode prejudicar o início do desenvolvimento do embrião e aumentar o surgimento de mutações. A conclusão vem de um estudo com camundongos que analisou o papel de uma proteína envolvida na correção de danos genéticos.A pesquisa mostra que, mesmo com o crescimento e a fecundação ocorrendo normalmente, a ausência da proteína RAD51 compromete etapas logo após a formação do embrião. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com apoio de instituições internacionais e publicado em 3 de setembro na revista Molecular Human Reproduction.O que acontece com o embriãoOs ovócitos — células que dão origem aos óvulos — conseguem se desenvolver e ser fecundados mesmo sem a proteína. O problema aparece depois. Nos primeiros dias após a fecundação, o número de embriões viáveis diminui.Nos experimentos, camundongos sem a proteína tiveram redução no número de filhotes. Enquanto os animais do grupo de comparação geraram de sete a oito descendentes, os demais tiveram de dois a três.Além disso, os embriões que conseguem seguir o desenvolvimento apresentam mais mutações genéticas. Muitas dessas alterações surgem logo após a fecundação e não estão presentes nos pais.Como o DNA é reparadoO DNA pode sofrer quebras por diferentes motivos, como erros durante a divisão celular ou exposição a agentes externos. Em condições normais, as células usam um mecanismo preciso para corrigir esses danos, copiando a informação correta de uma sequência intacta.Sem a RAD51, esse processo falha. A célula passa a usar caminhos alternativos, que apenas unem as partes quebradas sem conferir o código original. O reparo é menos preciso e aumenta a chance de erros no material genético.Relação com idade e doençasEstudos anteriores já indicavam que a produção de proteínas ligadas ao reparo do DNA diminui com o envelhecimento. Esse processo está associado à redução da fertilidade e ao aumento do risco de alterações genéticas nas gerações seguintes.Alterações nesses mecanismos também têm sido relacionadas a doenças raras e a maior risco de alguns tipos de câncer. Leia também SaúdePela primeira vez, técnica altera genes em embriões com alta precisão SaúdeMudança no genoma de embriões humanos gera debate da classe científica SaúdeUrologista aponta quais hábitos prejudicam a qualidade dos espermas EsportesEspanha lança programa para congelamento de óvulos das jogadoras Possíveis aplicaçõesOs pesquisadores apontam que entender esse processo pode ajudar no desenvolvimento de estratégias em reprodução assistida. Uma das possibilidades em estudo é fornecer a proteína ou seu material genético ao óvulo antes da fertilização em laboratório, como forma de proteger o embrião nos primeiros dias.A ideia ainda precisa ser testada, mas segundo os autores, pode contribuir para reduzir perdas gestacionais iniciais e a ocorrência de mutações nesse período.







