Mirelle Pinheiro

Esquema envolveu pessoas no Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e Roraima. Os principais alvos eram servidores públicos estaduais e federais

Giovanna Sfalsin
15/09/2026 15:19
José Cruz/Agência Brasil
A Justiça Federal condenou a 23 anos e 10 meses de reclusão um dos envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos R$ 156 milhões entre 2019 e 2022. Outras duas pessoas também foram condenadas por participação em manobras para esconder patrimônio. O esquema envolveu pessoas no Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e Roraima.
As investigações no Amazonas foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF) e pela Delegacia de Crimes Financeiros da Polícia Federal (PF). Segundo as apurações, a organização criminosa usava as empresas Grupo Lótus e Amazon Pagamentos Bank Ltda.
O grupo captava dinheiro sem autorização do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os principais alvos eram servidores públicos estaduais e federais.
De acordo com as investigações, as vítimas eram convencidas a contratar empréstimos consignados de alto valor em bancos. Depois, transferiam o dinheiro para contas ligadas às empresas.
Os envolvidos ainda prometiam pagar todas as parcelas dos empréstimos e ainda dar retornos financeiros sobre o dinheiro investido. Para explicar os lucros, diziam que o dinheiro era aplicado em criptomoedas, mercado Forex, opções binárias (IQ Option) e operações de alta frequência (HFT).
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro
Laudos e análises feitas durante a investigação apontaram, no entanto, que quase não havia dinheiro aplicado de fato no mercado financeiro. Segundo as apurações, o esquema funcionava como uma espécie de pirâmide financeira, conhecida como Esquema Ponzi, em que o dinheiro dos novos investidores era usado para pagar os rendimentos prometidos aos clientes antigos.
Para esconder a origem do dinheiro obtido com as fraudes, um dos réus usava empresas de fachada e “laranjas” para colocar bens de alto valor no nome de outras pessoas. Entre os itens estavam carros importados, lanchas e jet-skis.
Segundo as investigações, a estratégia dificultava o rastreamento do dinheiro e permitia que os envolvidos mantivessem um padrão de vida luxuoso com os recursos obtidos por meio dos prejuízos causados às vítimas.
No caso de dois dois dos réus, não há mais possibilidade de recurso, porque os processos já transitaram em julgado. Ambos estão cumprindo as penas. Um deles teve o tempo de prisão reduzido depois que o Tribunal corrigiu um erro de cálculo na sentença original.
Já a defesa do réu condenado a 23 anos e 10 meses entrou com recurso de apelação. Por isso, a condenação dele ainda não é definitiva.
Como o recurso continua pendente, a Justiça determinou que o processo desse réu fosse separado dos demais para ser analisado de forma independente pelo Tribunal Superior.

