Neila Guimarães

Presidente deve defender meio ambiente, agro e soberania brasileira, sem citar nominalmente os Bolsonaro

Neila Guimarães
22/09/2026 00:07
Presidente Lula discursa na ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adotar nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, um tom de estadista, com foco em temas internacionais, meio ambiente, agronegócio e soberania brasileira, mas também aproveitar o discurso para fazer referências indiretas ao cenário político nacional. A avaliação é de aliados que acompanham as expectativas para a fala do presidente.
Segundo interlocutores, Lula não deverá citar nominalmente Jair Bolsonaro ou seus filhos. A estratégia esperada é fazer referências mais amplas a soberania, ingerência estrangeira, democracia e aos que, na avaliação do governo, colocam interesses externos acima dos interesses brasileiros.
O Brasil mantém a tradição de ser o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, posição ocupada desde 1955. Depois de Lula, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta será a 10ª vez que Lula fará o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. Pelo atual calendário político brasileiro, poderá também ser a última vez que ele ocupe a tribuna como presidente da República.
Meio ambiente e agronegócio
Segundo os aliados, Lula deverá reforçar a ideia de que o Brasil pode conciliar a produção agropecuária com a preservação ambiental. A intenção é apresentar o país como uma nação com responsabilidade sobre a proteção do meio ambiente, mas também com capacidade de ampliar sua produção e desenvolvimento.
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O tema ambiental já é recorrente nos discursos de Lula na ONU. Em 2024, o presidente defendeu a combinação entre desenvolvimento sustentável, proteção ambiental e produção de alimentos, além de destacar o papel brasileiro na transição energética.
Soberania sem citar Bolsonaro
Embora não deva mencionar nominalmente os integrantes da família Bolsonaro, Lula deverá fazer referências ao momento de divisão política e às disputas envolvendo interesses estrangeiros.
Aliados esperam que o presidente faça uma defesa enfática da soberania brasileira e deixe claro que o país pode manter relações com outras nações sem se subordinar a nenhuma delas.
A mensagem deverá ser de que o Brasil tem uma bandeira, uma política externa e interesses próprios e que eventuais pressões internacionais, inclusive comerciais, não irão definir os caminhos do país.
O presidente também deverá fazer referência ao PIX. O objetivo é fazer um contraponto a informações falsas que, segundo aliados, têm sido disseminadas sobre o sistema de pagamentos.
Cenário Internacional
No cenário internacional, aliados também esperam que Lula manifeste apoio à ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, que chegou a disputar a indicação para secretária-geral da ONU.
Bachelet, no entanto, anunciou a retirada de sua candidatura após perder apoio na disputa. Com a desistência, a corrida para suceder António Guterres segue com outros candidatos.
A questão palestina também deverá aparecer no discurso, mas de forma mais resumida. Lula deve defender que uma paz duradoura no Oriente Médio passa pelo reconhecimento dos direitos do povo palestino e pela criação de um Estado palestino, em linha com a defesa brasileira da solução de dois Estados.
