Mirelle Pinheiro

Ao todo, a décima fase da Overclean cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e ES

Mirelle Pinheiro
17/09/2026 09:22, atualizado 17/09/2026 09:32
Reprodução/Web
A coluna apurou que entre os alvos das buscas da Operação Overclean, que apura suspeitas de fraudes em contratos de mais de R$ 80 milhões na Educação de Belo Horizonte, estão o ex-secretário municipal Bruno Barral, o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e os irmãos Fábio e Alex Parente. A investigação também alcança ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia e vice-presidente nacional do partido, contra quem a PF chegou a pedir um mandado de busca e apreensão.
ACM Neto é formalmente investigado pela Polícia Federal sob suspeita de participação na indicação de um secretário para a Prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de favorecer empresários em licitações públicas. A linha investigativa apura se, posteriormente, haveria pagamento de vantagens indevidas.
A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para fazer buscas contra ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à medida, mas o ministro Kássio Nunes Marques, relator da Overclean no STF, negou o pedido por considerar que não havia base legal suficiente para autorizar a diligência. Por isso, embora investigado, ACM Neto não é alvo dos mandados cumpridos nesta quinta-feira (17/9).
Ao todo, a décima fase da Overclean cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.
O foco desta etapa são contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025 para o fornecimento de serviços e materiais didáticos.
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Pelo menos três procedimentos resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos também estão sob investigação, o que significa que o volume de recursos analisado pela PF pode aumentar.
Ex-secretário
Bruno Barral volta a ser alvo da PF depois de ter sido afastado da Secretaria de Educação de Belo Horizonte durante a terceira fase da Overclean. Antes de assumir a pasta na capital mineira, ele havia sido secretário municipal de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto.
A investigação apura a suspeita de que Barral tenha integrado uma estrutura que favoreceria empresas ligadas a José Marcos de Moura e aos irmãos Parente nas contratações realizadas em Belo Horizonte.
José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, e os irmãos Fábio e Alex Parente são personagens antigos da Overclean. Eles foram presos na primeira fase da operação, em dezembro de 2024, e posteriormente colocados em liberdade, permanecendo submetidos a medidas cautelares. Em agosto deste ano, Moura e outras 24 pessoas foram indiciadas pela PF em uma das frentes da investigação.
Uma das linhas da Overclean apura se empresários ofereciam a agentes políticos um conjunto de empresas para participar de contratações públicas, inclusive aquelas abastecidas por recursos de emendas parlamentares, e se parte do dinheiro retornava posteriormente por meio de pagamentos ilícitos.
A investigação desta quinta-feira busca esclarecer especificamente como empresas ligadas aos investigados conseguiram contratos na Educação de Belo Horizonte e se houve direcionamento dos procedimentos.
Segundo a PF, os fatos apurados podem configurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação permanece em andamento e as suspeitas ainda não representam conclusão de responsabilidade criminal dos envolvidos.

