A busca por exoplanetas sempre despertou o interesse da comunidade científica. Afinal, a descoberta de mundos fora do nosso Sistema Solar é primordial para compreender a formação planetária e, principalmente, buscar sinais concretos de vida para responder se estamos sozinhos no Universo.Mas especialistas relatam que, para encontrar candidatos capazes de abrigar vida, os exoplanetas precisam preencher requisitos específicos a fim de passar da possibilidade para a probabilidade. Entre essas condições, a principal é que o astro esteja em uma posição equilibrada em relação à sua estrela hospedeira. Leia também CiênciaAstrônomos encontram o exoplaneta mais jovem já conhecido, Elias 2-24 b MundoSpaceX lança telescópio da Nasa para mapear energia escura e exoplanetas CiênciaJames Webb dá mais detalhes de como é exoplaneta semelhante a Mercúrio CiênciaDescoberto novo exoplaneta com manhãs nubladas e tardes ensolaradas “Isso é o que chamamos de zona habitável. A ideia é que o planeta não esteja nem muito distante nem muito próximo da estrela. Se estiver muito perto, a água na superfície seria encontrada no estado gasoso, estaria evaporando. Se estiver muito distante, os oceanos estariam congelados e o planeta seria muito frio”, explica o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Por outro lado, mesmo que o planeta tenha uma “relação saudável” com sua estrela, os cientistas precisam determinar se existe água na sua superfície. “Quando falamos da zona habitável, não sabemos nem se o planeta realmente tem água. Ele está apenas em uma região onde, potencialmente, poderia haver. Agora, saber se existe água de fato já é outra questão”, afirma Gonçalves, que também é pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.Outros critérios para a habitabilidade de um planetaEstudar a distância de um planeta em relação à sua estrela hospedeira é apenas o pontapé inicial para definir se ele pode realmente abrigar vida. Entre outros critérios para essa verificação, estão:Ter uma atmosfera estável;Ter disponibilidade de água, energia (calor) e nutrientes (elementos químicos como carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre);Não ser nem pequeno demais, nem grande demais;Se possível, ter um campo magnético que proteja o planeta de efeitos causados pelo vento estelar e partículas energéticas emitidas pela estrela;Ter atividade geológica, pois o vulcanismo e a tectônica podem ajudar na regulação do clima, reciclagem dos gases atmosféricos e manutenção dos ciclos químicos favoráveis à vida;Ter uma estrela hospedeira estável, sem que ela emita níveis consideráveis de radiação ultravioleta, raios X ou explosões frequentes que impactem a atmosfera planetária.“Quando astrônomos anunciam um planeta como “potencialmente habitável”, normalmente isso significa que ele é composto por rochas; está na zona habitável de sua estrela — região onde o calor é suficiente para manter água líquida em sua superfície; tem água líquida; possui chances de manter uma atmosfera estável; e recebe níveis de radiação compatíveis com a persistência da vida”, esclarece o professor Álvaro Penteado Crósta, da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).E como são encontrados planetas com potencial?A busca por planetas potencialmente habitáveis é realizada com a utilização de telescópios, sejam espaciais ou terrestres. Um dos que mais tem se destacado na procura pelos candidatos é o telescópio espacial James Webb, da Nasa.Mas como uma imagem vista por meio de um instrumento óptico pode revelar tantos detalhes sobre um planeta? Segundo Gonçalves, os especialistas utilizam um “truque” quando o candidato observado passa na frente da estrela.“Usamos o telescópio para estudar como o raio de luz que atravessa a atmosfera é modificado por ela. A presença de gases na atmosfera desses exoplanetas faz com que parte da luz que vem da estrela seja absorvida. Então, podemos comparar como era a luz da estrela antes e depois de o planeta passar na frente dela e observar como essa luz se modifica e como interage com os átomos e as moléculas presentes na atmosfera”, exemplifica o astrônomo.Já foram descobertos mais de 6 mil exoplanetas. Recentemente, o pesquisador brasileiro Fábio Calabrio Evangelista da Silva, aluno de mestrado em Astronomia do Observatório Nacional (ON), analisou todos eles e selecionou oito candidatos com condições semelhantes às da Terra.







