Brasil registrou em média 15 episódios de estupro coletivo por dia nos últimos quatro anos

Números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) são referentes apenas aos casos que passaram pelo sistema de saúde. Crédito: Mariana Cury/ Estadão

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Milhares de estudantes e integrantes do corpo docente se reuniram em protesto no centro do câmpus da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, na noite de segunda-feira, 5, em manifestação da indignação que vem crescendo desde que a instituição foi processada por causa de sua conduta em relação a uma denúncia de agressão sexual ocorrida em 2024.

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Depois de se reunirem em uma grande praça do câmpus, os estudantes marcharam até o principal prédio administrativo da Cornell, o Day Hall, que abriga o gabinete do reitor da universidade, Michael Kotlikoff. O protesto pacífico ocorreu poucas horas após um ato de vandalismo no meio da noite no prédio, onde ativistas quebraram a porta de vidro e pintaram grafites na entrada.

Quando os estudantes chegaram ao prédio na noite de segunda-feira, viram que os grafites haviam sido removidos e que a porta de vidro quebrada estava coberta por uma placa com os dizeres: “Entrada temporariamente fechada”.

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Tanto o protesto quanto o vandalismo foram demonstrações da fúria que vem se acumulando no campus desde que uma ação judicial movida por uma mulher — detalhando alegações de agressão sexual em uma festa de fraternidade — provocou indignação em todo o país.

Estudantes fizeram manifestações no cãmpus Foto: HEATHER AINSWORTH

Os estudantes expressaram solidariedade à mulher, conhecida como Jane Doe (pseudônimo para ocultar sua verdadeira identidade), que afirmou ter sido drogada e estuprada em um incidente envolvendo sete homens na sede da fraternidade Chi Phi, em 19 de outubro de 2024. No mês passado, a mulher processou os homens, a universidade, a Chi Phi e sua irmandade.

Todos os estudantes acusados negaram ter cometido qualquer irregularidade, e nenhum deles foi indiciado por crime. Na semana passada, a governadora Kathy Hochul nomeou uma promotora especial, a procuradora-geral Letitia James, para investigar as alegações de Jane Doe.

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O protesto na segunda-feira foi a primeira grande manifestação de integrantes da comunidade da Cornell desde que o processo colocou a universidade no centro de uma tempestade nacional.
“Acho que, se você não está com raiva, há algo errado”, disse Quin Lewis, estudante do 2º ano da Cornell que estava na multidão. “Todo mundo está de olho — a Cornell tem a oportunidade de promover mudanças.”
Os estudantes usavam crachás com o nome “Jane Doe” e broches roxos em sinal de solidariedade às vítimas de violência sexual, além de segurarem cartazes e pôsteres criticando a administração da universidade.
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Quando um orador mencionou o nome do reitor Kotlikoff, ouviu-se uma onda de gritos de “Renuncie!”. Também houve gritos de “Proíbam as fraternidades”. Muitos estudantes exigiram a abolição das fraternidades, que, segundo alguns, contribuíram para criar um ambiente inseguro para as mulheres.
Quando o protesto chegava ao fim, um manifestante mascarado começou a bater com força nas portas do Day Hall, e os líderes do protesto intervieram gritando: “Não vamos fazer isso”.
Estudantes cobram mudanças na universidade
O protesto, chamado “Justiça para as Sobreviventes”, foi organizado pelo grupo “Estudantes por uma Cornell Democrática”, juntamente com uma coalizão de mais de 20 organizações estudantis. Em uma entrevista, Jack Huber, estudante de graduação ativista que ajudou a planejar a manifestação, disse que os manifestantes exigiam que a universidade reformulasse suas políticas e procedimentos para lidar com denúncias de agressão sexual.
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Os organizadores afirmaram que a universidade deveria instituir “sanções mínimas” e um cronograma padronizado para investigar alegações de agressão. Eles também exigiram treinamento aprimorado para os policiais da Cornell sobre como lidar com casos de agressão sexual.
“Assim como muitos de vocês, senti várias emoções nesta última semana — decepção, tristeza e raiva em relação a quase todos os envolvidos no caso de Jane Doe”, disse uma das oradoras, Madeline Gage, diante da multidão em polvorosa. “Todos nos importamos, acreditamos e apoiamos tanto Jane Doe quanto todas as sobreviventes.”
Universidade diz investigar depredação
Na madrugada desta segunda, antes que a maioria dos estudantes estivesse acordada, vândalos quebraram a porta e pintaram grafites no prédio. Foi um começo turbulento para a semana de protestos planejados.
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De um lado da porta, um grafite em tinta vermelha dizia: “Na Cornell, estupradores são protegidos e manifestantes são expulsos”. Do outro lado, também em grafite, estavam as palavras: “Acabem com o patriarcado”. A administração da Cornell informou que o ato de vandalismo está sendo investigado.
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“Compreendemos a frustração e as fortes emoções que estão sendo expressadas em toda a nossa comunidade”, disse Kyle Kimball, vice-presidente de relações universitárias. “Essas preocupações merecem ser ouvidas, mas danificar propriedade não é a resposta. Estamos investigando o vandalismo no Day Hall e trataremos do caso de acordo com a política da universidade e a legislação aplicável.”
Embora a identidade dos vândalos que agiram durante a madrugada não fosse conhecida, um grupo cujos membros se autodenominavam “ativistas autônomos” divulgou uma declaração na segunda-feira assumindo a autoria da ação e acusando a Cornell de usar “seu poder e seus recursos para proteger, em vez de condenar, a violência sexual”. Procurado, o Departamento de Polícia de Cornell não respondeu.
Novos protestos estão previstos no câmpus
Os estudantes planejam mais manifestações ao longo da semana. Na terça-feira, realizarão uma reunião pública aberta, coorganizada pelo departamento de estudos feministas, de gênero e sexualidade. Na quarta-feira, alguns grupos estudantis planejam faltar às aulas e realizar um protesto pacífico de sete horas em solidariedade a Jane Doe.
Os protestos ocorrem após uma semana conturbada no câmpus, na qual os estudantes expressaram frustração com a forma como a administração e as autoridades policiais lidaram com as denúncias de agressão sexual.
Muitos estudantes questionaram por que alguns dos homens acusados de agressão sexual foram autorizados a permanecer no câmpus. O jornal americano New York Times noticiou no sábado que dois dos sete homens foram expulsos, outros dois foram suspensos, e um foi proibido de entrar no campus.
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Os dois estudantes restantes receberam punições mais leves. A universidade, a fraternidade e os promotores afirmaram ter agido de forma adequada, considerando as informações de que dispunham.
Em meio à multidão no protesto noturno, Lewis, aluna do 2º ano, disse que ficou com o coração partido ao ler os detalhes do que Jane Doe relatou ter vivenciado. “Passei por um incidente no semestre passado — a presidente da minha irmandade me apoiou durante todo o processo”, disse ela. “É horrível ver que a mesma compaixão não foi demonstrada para com Jane Doe.”
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
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