No mês do Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens, pesquisa internacional revela dados alarmantes sobre saúde mental e nutrição para 2030

14 set 2026 - 07h21

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- Por: Helena Gomes / Licenciado de Bons Fluidos

Resumo

Estudo da revista The Lancet alerta que a saúde global dos adolescentes atingiu um ponto crítico, impulsionada pelo avanço de transtornos mentais, obesidade, sedentarismo e violência, somados às mudanças climáticas e aos impactos digitais. A pesquisa aponta que os sistemas de saúde negligenciam jovens de 10 a 24 anos e cobra investimentos públicos urgentes em prevenção, bem-estar e políticas públicas integradas para proteger essa geração e evitar impactos socioeconômicos futuros.

A saúde da juventude mundial chegou a um limite preocupante. Em virtude do Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens, celebrado em 22 de setembro, um amplo estudo internacional publicado pela renomada revista 'The Lancet' acendeu o sinal de alerta ao mostrar que o bem-estar dos jovens atingiu um ponto crítico.

Estudo da The Lancet faz alerta grave sobre a saúde dos adolescentes. Entenda como o uso de telas, obesidade e crise climática afetam

Foto: Korrawin/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos
Caso o cenário atual se mantiver, as projeções para 2030 são assustadoras: 464 milhões de adolescentes poderão estar com sobrepeso ou obesidade. Além disso, a previsão é de que 42 milhões de anos de vida saudável sejam perdidos devido a transtornos mentais ou ao suicídio.
Para a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, com especialização em Neurociência e Desenvolvimento Infantil, o grande impasse é a precocidade dessas crises: "Problemas muito graves, que também impactam os adultos, estão chegando cada vez mais precocemente à infância e à adolescência. Estamos falando de questões como crise climática, nutrição, exposição às telas, internet, mídias, bullying e cyberbullying, que hoje fazem parte do contexto em que crianças e adolescentes estão crescendo".
Hiperconexão digital e o desafio das telas
A transformação digital desempenha um papel central nesse cenário. Atualmente, a grande maioria dos jovens está permanentemente conectada, o que exige novos limites por parte das famílias.
A médica compara essa rotina com a de gerações passadas para ilustrar a mudança de hábitos. "A televisão já fazia parte da vida das gerações anteriores, mas havia um momento em que o programa terminava e ela era desligada. Hoje, podemos ter cada integrante da família no próprio celular. A exposição deixou de ter os mesmos limites, e isso exige uma reflexão também dos adultos", explica a especialista. Da mesma forma, episódios de bullying ganharam contornos ainda mais graves com o cyberbullying.
O impacto na saúde dos adolescentes
Outro fator inédito é que esta é a primeira geração a vivenciar toda a sua juventude sob o impacto direto das mudanças climáticas. De acordo com a pediatra, as incertezas ambientais geram um aumento significativo de ansiedade nos mais novos: "Os efeitos da crise climática, a ansiedade relacionada ao aquecimento global e aos desastres climáticos têm afetado diferentes gerações. Esse é mais um aspecto particular do mundo em que essas crianças e adolescentes estão crescendo".
Nesse contexto, o estudo introduz o conceito do "triplo dividendo": cuidar da saúde na juventude traz benefícios imediatos para o jovem, garante um adulto mais saudável e protege as próximas gerações, já que 75% dos transtornos mentais surgem antes dos 24 anos.
Contudo, a especialista lembra que a mudança precisa começar dentro de casa. "Essas questões impactam diretamente a saúde dos adultos, talvez com uma intensidade muito maior do que a enfrentada pelas gerações anteriores. Por isso, os pais precisam refletir sobre o que pode estar causando dano aos filhos e, ao mesmo tempo, pensar em como cuidar da própria saúde. É preciso fazer isso também pensando nas crianças", orienta.
Em suma, a saúde dos jovens não pode ser encarada de forma isolada. A publicação defende ações urgentes que unam a medicina, o ambiente escolar e o ambiente comunitário. Afinal, as condições de criação na adolescência ditam não apenas o presente, mas todo o futuro da sociedade.
- Por: Helena Gomes / Licenciado de Bons Fluidos
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