Levantamento do Projeto Brief mostra que pessoas com mais de 60 anos têm mais dificuldade para reconhecer conteúdos artificiais; especialistas alertam para golpes que simulam vozes de familiares

Imagem da matéria: 8 em 10 idosos no Brasil não conseguem identificar um vídeo criado por IA, aponta pesquisa
Imagem da matéria: 8 em 10 idosos no Brasil não conseguem identificar um vídeo criado por IA, aponta pesquisa · Imagem: Source: epocanegocios.globo.com

Apenas 20,1% dos idosos brasileiros consegue identificar um vídeo feito com IA, mostra pesquisa — Foto: Pexels

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Apenas 20,9% das pessoas com 61 anos ou mais conseguiram identificar corretamente um vídeo político produzido por inteligência artificial. É o que aponta uma pesquisa do Projeto Brief, realizada online com 2.483 pessoas de todo o Brasil. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o índice chegou a 58,2%.

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Considerando todos os participantes, 45,3% reconheceram que o vídeo havia sido criado por IA, enquanto 33% acreditaram que o conteúdo era verdadeiro e 21,7% não souberam responder. O levantamento também mostrou que 33,9% dos entrevistados classificaram erroneamente um vídeo original como artificial.

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Os resultados acendem um alerta para os riscos de golpes digitais que utilizam os chamados deepfakes, conteúdos manipulados ou gerados por inteligência artificial capazes de reproduzir rostos e vozes de pessoas reais.

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Uma das preocupações é o uso da tecnologia para simular situações de emergência envolvendo familiares. Criminosos podem, por exemplo, reproduzir a voz de um filho ou neto para solicitar transferências de dinheiro, explorando vínculos de confiança.

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Segundo Giovanni La Porta, CEO da startup de inteligência artificial vortice.ai, a evolução da tecnologia tornou mais difícil reconhecer conteúdos falsos apenas pela aparência.

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“Os sinais visuais e sonoros que antes ajudavam a identificar uma manipulação estão ficando menos confiáveis. Um vídeo pode ter uma imagem muito natural, uma voz bastante parecida com a de uma pessoa conhecida e ainda assim ser falso”, afirma.

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Para o especialista, a principal recomendação é verificar a origem da informação antes de tomar qualquer decisão, especialmente diante de pedidos urgentes de dinheiro ou dados pessoais.

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Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade, recomenda que famílias estabeleçam procedimentos simples de segurança, como palavras-chave e a confirmação de pedidos financeiros por um segundo canal de comunicação.

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“O ideal é estabelecer combinados simples dentro da família e até mesmo códigos de segurança, como uma palavra-chave ou contexto. Quando todos sabem que um pedido de dinheiro, uma situação de emergência ou uma mudança inesperada de comportamento será sempre confirmada por outro canal, cria-se uma camada adicional de proteção”, diz.

Como se proteger dos golpes com IA?

Embora movimentos pouco naturais da boca, alterações na iluminação e vozes artificiais possam indicar uma manipulação, esses sinais não são suficientes para determinar se um conteúdo é falso.

A orientação dos especialistas é desconfiar de mensagens inesperadas, solicitações de senhas, links desconhecidos e pedidos urgentes de transferências financeiras.

“Se o conteúdo diz que alguém está em risco e precisa de dinheiro, não é o momento de tentar descobrir se a voz é artificial. É o momento de desligar e ligar para aquela pessoa por um contato que você já tinha salvo”, orienta La Porta.

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