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Publicado em 16 de outubro de 2026, às 3h56

Atualizado em 16 de outubro de 2026, às 4h01
BRASÍLIA, 15 de outubro - À medida que a campanha para as eleições decisórias presidenciais no Brasil entra na reta final, ambos os candidatos estão concentrando seus planos de ajustes fiscais em medidas politicamente aceitáveis, reforçando a visão de economistas de que estratégias para conter o crescente ônus da dívida do país só serão reveladas após a eleição.
A dívida bruta do país aumentou mais de 10 pontos percentuais durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atingindo 82,9% do produto interno bruto (PIB), enquanto o governante de esquerda busca a reeleição após ter ficado em segundo lugar inesperadamente ao senador Flávio Bolsonaro na primeira volta no início deste mês.
O candidato de direita Bolsonaro entrou na disputa prometendo um ajuste fiscal mais rápido, visando uma melhoria de 1,5% do PIB no saldo primário em 18 meses para desencadear um choque de confiança e reduzir os custos de empréstimo.
As taxas de juros de longo prazo caíram acentuadamente desde a vitória de Bolsonaro na primeira volta, refletindo o otimismo dos investidores sobre uma possível mudança no governo, embora sua campanha ainda não tenha explicado como tal ajuste seria implementado.
A campanha de Lula também prometeu consolidação fiscal, embora em um ritmo mais lento, afirmando que os cortes de gastos não devem recair sobre brasileiros de baixa renda, mensagem que tem definido a agenda econômica do presidente.
Com pesquisas mostrando Bolsonaro à frente por uma margem estreita, ambas as campanhas mantiveram propostas fiscais politicamente seguras, evitando medidas que abordariam as causas estruturais da piora das perspectivas fiscais do Brasil, dizem analistas.
Economistas concordam amplamente que o principal desafio reside no rápido crescimento dos gastos obrigatórios e em um orçamento cada vez mais rígido. Os gastos discricionários do governo federal representaram apenas cerca de 7,6% das despesas totais no ano passado, contra 14,2% em 2000, quando a série do Painel Orçamentário Federal do Brasil começou.
O consultora econômico de Bolsonaro, Daniella Marques, rejeitou sugestões de que uma futura administração reduziria benefícios sociais, afirmando que aposentadorias e programas de assistência permaneceria intocados.
"Você pode fazer o governo funcionar cortando seus próprios excessos", disse Marques à emissora Band na quarta-feira, apontando para medidas como cortes em nomeações políticas e ministérios, entre outras ações.
Geraldo Alckmin, companheiro de chapa de Lula, argumentou que a consolidação fiscal deve focar no combate ao financiamento de campanhas e aos salários desproporcionais recebidos por alguns trabalhadores do setor público.
Nenhuma das campanhas enfrentou as reformas mais profundas necessárias para estabilizar a dívida, disse Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco brasileiro Inter.
"Não há solução mágica de curto prazo", disse ela. "O debate sobre medidas estruturais é extremamente difícil durante uma campanha eleitoral porque são impopulares."
Ajuste gradual permanece viável, disse Vitoria, acrescentando que discussões sobre regras de indexação de benefícios, gastos obrigatórios e programas sociais sobrepostos provavelmente terão que esperar até após a eleição. REUTERS
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