Maria Virgínia de Castro Leão Velloso (Rio de Janeiro, 18 de setembro de 1895 – Paris, 15 de novembro de 1921), mais conhecida como Nininha Velloso Guerra ou somente Nininha, foi uma pianista e compositora brasileira, sendo uma das responsáveis pela introdução do impressionismo musical no Brasil.
Biografia e vida artística Maria Virgínia de Castro Leão Velloso, como era o seu nome de nascimento, era filha de Godofredo Leão Velloso, um professor e pianista. Ele, por ser um homem entusiasta de Claude Debussy, encorajou sua filha e outros estudantes a tocar esse e outros artistas contemporâneos da época, como Maurice Ravel, Erik Satie, Charles Koechlin e Abel Decaux. Nininha, em uma época de outras brilhantes pianistas, como Antonieta Rudge, Guiomar Novaes e Magda Tagliaferro, se caracterizou pelo seu intenso envolvimento pela música moderna, tanto como pianista quanto como compositora. Tocou, em 1907, no seu primeiro recital, obras de Bach, Mozart, Haydn, Beethoven, Chopin e Debussy, quando tinha apenas 11 anos. Em um concerto de 1908, Nininha apresentou-se como compositora pela primeira vez com a peça Jeannon et Suzette, cantando e tocando o piano. Escreveu, em 1913, uma peça de seis movimentos, originalmente feito para o piano, intitulada Com as crianças, com influência da música modernista francesa e inspirada na composição Children’s Corner, de Debussy, sendo uma das primeiras composições impressionistas do Brasil. Em 1917, já era casado com Oswald Guerra, e era conhecida agora como Nininha Velloso Guerra. Ela, seu pai e seu marido formaram o Círculo Veloso-Guerra, responsáveis pela difusão da música francesa no Rio de Janeiro, impactando a formação de Heitor Villa-Lobos e nos trabalhos de Darius Milhaud, que conheceu o Círculo em seu período de estadia na cidade de Rio de Janeiro. Ainda em 1917, ano de inauguração do Theatro São Pedro, Nininha apresentou-se em duas ocasiões – na primeira, 30 de junho, interpretou obras de Koechlin, Oswaldo Guerra (Au coeurles souvenirs pleurent confusément), Ravel (Sonatina) e dela própria (Com as crianças No.2). Na segunda ocasião, 9 de julho, com Mario Caminha e Darius Milhaud, interpretaram uma sonata para piano de dois violinos, de autoria de Milhaud. No ano seguinte, Milhaud organizou o "Festival Debussy", em homenagem ao compositor que falecera no mesmo ano, no salão do Jornal do Commercio, recebendo o patrocínio das legações francesa e inglesa, e entre os músicos, a participação de Nininha. Em 1920, Milhaud, insistentemente convida o Círculo Veloso-Guerra para morar em Paris, e Nininha, após um breve período de apresentações e concertos, vê a sua saúde piorar e falece no dia 15 de novembro de 1921.
Homenagens e dedicatórias Com sua morte em 1921, Heitor Villa-Lobos publicou na revista Ilustração Brasileira uma à Nininha um escrito com os primeiros compassos de dois temas de uma obra que projetava escrever em sua homenagem. Também dedicou a Danças características africanas, W085 para a pianista. Darius Milhaud dedicou três trabalhos para Nininha – Printemps, Opp.25, 66, Saudades do Brasil, Op.67 e Sonata for Flute, Clarinet, Oboe and Piano, Op.47.
Referências