A Romaria de Santa Teresinha de Mata Grande, no interior do estado de Alagoas é um evento católico e constitui uma das principais manifestações de religiosidade católica do estado.

Origens Históricas A romaria, cuja prática remonta pelo menos aos primeiros anos da década de 2000, nasceu da articulação entre a devoção à Santa Teresinha do Menino Jesus, canonizada em 1925 e conhecida como a “Santa das Rosas” e padroeira universal das missões, e o impulso missionário do Sizino Lemos Telles Júnior, conhecido por “Sizo”, em promover o culto à santa no sertão alagoano. Em 2003, teve início a construção do Santuário de Santa Terezinha, em terreno particular do padre Sizo. A posse do santuário foi objeto de conflito entre o padre e o bispo da diocese de Palmeira dos Índios, Dom Dulcênio Matos, que entendia que o gerenciamento do santuário deveria ser feito pela sua diocese e não pelo sacerdote. O padre Sizo foi suspenso de suas atividades sacerdotais em 2009. Sem aprovação do bispo, a igreja não é considerada canonicamente um santuário. A importância crescente do evento culminou, em 2023, com o reconhecimento oficial do Santuário Teresiano Matagrandense como patrimônio histórico e cultural imaterial do estado de Alagoas, por meio da Lei estadual 8.910/2023. Esta legislação reconhece a festividade como componente integral da história e identidade cultural da comunidade de Mata Grande, consolidando sua relevância não apenas como prática religiosa, mas como expressão cultural de caráter coletivo.

Celebrações A romaria ocorre tradicionalmente em datas próximas ao dia 1o de outubro, coincidindo com a festa litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus, período em que o santuário e suas imediações se tornam destino de caravanas de devotos provenientes de múltiplas cidades do Nordeste brasileiro. As celebrações incluem:

Missas solenes celebradas por padres convidados, com homilias que ressaltam a espiritualidade teresiana e a importância da fé na vida cotidiana; Procissões pelas ruas da cidade, nas quais os romeiros percorrem trajetos previamente definidos em atos de devoção e cumprimento de promessas, muitas vezes simbolizando pedidos de graças alcançadas ou suplicando bênçãos para suas famílias; Orações comunitárias, terços recitados em conjunto e momentos de reflexão espiritual coletiva; Durante o cortejo, um helicóptero lança água benta aromatizada com essências de rosas e também rosas de papel sobre os devotos. Além disso, a romaria é um espaço de expressão cultural, no qual feiras, barracas de alimentação e comércio de artigos religiosos se dispõem ao longo dos percursos, proporcionando não apenas uma dinâmica religiosa, mas também um intercâmbio social e econômico entre devotos e moradores locais.

Referências