Matheus Leitão

imagem colorida de boneco inflável de donald trump segurando lula preso em ato de flávio bolsonaro e da direita na avenida paulista, em são paulo
imagem colorida de boneco inflável de donald trump segurando lula preso em ato de flávio bolsonaro e da direita na avenida paulista, em são paulo · Imagem: Sam Pancher/Metrópoles

Flávio admira Trump, mas não explica como enfrentaria a alta do petróleo provocada pela guerra do presidente americano

A pergunta incômoda que a guerra de Trump impõe a Flávio Bolsonaro
A pergunta incômoda que a guerra de Trump impõe a Flávio Bolsonaro · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

20/10/2026 10:16

Sam Pancher/Metrópoles

Esta é a eleição mais indefinida da história. Não dá para cravar quem vencerá a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Mas um problema já está colocado para quem assumir a Presidência em janeiro: a continuidade do choque do petróleo provocado pela guerra de Donald Trump no Oriente Médio.

Nesta terça-feira (20/10), o barril Brent chegou a US$ 111,75, com alta superior a 2%, no maior patamar desde maio. Navios atingidos por minas no estreito de Hormuz, ataques dos houthis e negociações de paz sem avanço renovaram o temor de interrupções no fornecimento. A guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã continua cobrando seu preço do restante do mundo.

O Brasil vive os dois lados desse choque. Como exportador de petróleo, recebe mais pela valorização do produto. Mas a alta também pressiona os combustíveis, os transportes e a inflação. Ganhar com a exportação não significa que o consumidor esteja protegido na bomba.

O governo Lula tem recorrido a subsídios e desonerações para amortecer esse impacto. Como mostrou a coluna, na sexta-feira (9/10), renovou o alívio por mais 30 dias, zerou os tributos federais da gasolina e ampliou a subvenção ao etanol. A equipe econômica também explica de onde pretende tirar os recursos: das receitas extraordinárias da União com o petróleo.

É uma política que tem custo e cuja continuidade exigirá decisões. Se Lula vencer, terá de responder pela manutenção ou pela revisão do que está fazendo. Se Flávio ganhar, precisará dizer como pretende enfrentar o mesmo problema. Manterá os subsídios? Retirará o socorro? Permitirá que a alta internacional chegue integralmente ao consumidor? De onde sairia o dinheiro para uma alternativa?

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O entusiasmo de setores do mercado com o senador deveria vir acompanhado dessas perguntas, mas não se vê preocupação alguma. A simpatia pelo candidato não substitui a explicação sobre como ele governará, caso de fato seja eleito.

Para Flávio, há ainda uma complicação política: parte do problema que poderá herdar foi criada justamente por Donald Trump, a liderança política que tanto admira. A eleição segue em aberto. A conta do petróleo, porém, chegará a quem vencer.