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Os novos planos de lançamento de ‘Dark Horse’, o polêmico filme sobre Jair Bolsonaro
Os novos planos de lançamento de ‘Dark Horse’, o polêmico filme sobre Jair Bolsonaro · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Malu Gaspar

Os novos planos de lançamento de ‘Dark Horse’, o polêmico filme sobre Jair Bolsonaro
Os novos planos de lançamento de ‘Dark Horse’, o polêmico filme sobre Jair Bolsonaro · Imagem: Source: oglobo.globo.com

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Trailer de longa-metragem, que se tornou foco de desgaste para a campanha de Flávio Bolsonaro, será divulgado logo após o 2º turno

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Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel em 'Dark Horse' — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — Reprodução

Um dos principais focos de desgaste da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o longa-metragem “Dark Horse” só vai estrear nos cinemas brasileiros em 2027. O financiamento da cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro entrou na mira da Polícia Federal (PF) e se tornou alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) após virem à tona áudios de Flávio pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para custear a produção.

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Inicialmente, foi cogitada a estreia do filme em setembro, antes das eleições. Mas, de acordo com fontes a par do assunto, com o risco de uma intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os desdobramentos do caso Master e a tramitação na Agência Nacional do Cinema (Ancine), a previsão de estreia foi sendo postergada até ficar inviável o lançamento ainda neste ano.

O próprio Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, são investigados no inquérito, que apura indícios de corrupção (passiva e ativa), evasão de divisas e lavagem de capitais. Uma das linhas de investigação da PF é se o dinheiro enviado por Vorcaro, por meio do fundo Havengate, administrado por um advogado próximo de Eduardo, não foi desviado para financiar o autoexílio do ex-deputado nos Estados Unidos.

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Existem pelo menos dois motivos que explicam a demora no lançamento de “Dark Horse”. O primeiro deles é que o filme já teve o registro aceito pela Ancine, mas ainda não obteve aval do órgão para exploração comercial e ainda precisa ganhar uma classificação indicativa do Ministério da Justiça. Ou seja: a tramitação burocrática ainda não foi concluída.

O segundo é que a distribuidora Europa Filmes ainda vai fazer o trabalho de dublagem, já que o filme, com 1 hora e 40 minutos de duração, diálogos em inglês e um elenco predominantemente estrangeiro, vai passar pelo processo de tradução das falas dos personagens para o lançamento de cópias dubladas no circuito brasileiro.

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Segundo a equipe da coluna apurou, um trailer para o mercado nacional já foi editado e dublado em português, mas só deve ser divulgado após o segundo turno, como forma de evitar intervenções da Justiça Eleitoral e afastar o risco de novas polêmicas na reta final da votação.

Plano de negócios previa superar recorde de ‘Minha mãe é uma peça 3’

Um relatório da PF, tornado público no mês passado por decisão do ministro André Mendonça, aponta que o plano de negócios de “Dark Horse” previa um recorde histórico de bilheteria.

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De acordo com o relatório da PF, o material apresentado pelo publicitário Thiago Miranda, que articulou nos bastidores o financiamento do filme, apresentava três cenários de desempenho de bilheteria: um pessimista de US$ 45 milhões; um conservador de US$ 70 milhões; e um otimista de US$ 100 milhões.

“Para situar a dimensão dessas projeções, o maior resultado de bilheteria da história do cinema nacional foi obtido por 'Minha Mãe é uma Peça 3' (2019), com aproximadamente R$ 120 milhões — equivalente, à época, a cerca de US$ 30 milhões. O cenário otimista projetado para 'Dark Horse' superaria esse recorde histórico nacional em mais de três vezes, situando-se na faixa de desempenho de grandes produções hollywoodianas de bilheteria global”, aponta a PF.

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Na avaliação dos investigadores, a discrepância “entre as projeções do plano de negócios e qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional constitui elemento que reforça a necessidade de apuração quanto à viabilidade econômica e à verdadeira finalidade da operação”.

72% dos gastos do filme ocorreram nos EUA

“Dark Horse” está cercado por interrogações envolvendo todas as fases de produção. Quando os diálogos com Vorcaro foram divulgados pelo site Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro prometeu apresentar as contas do filme, mas depois mudou o discurso e tem alegado que uma perícia privada já esclareceu os gastos da produção, o que não é verdade.

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A perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, revelou que 72% dos gastos com o longa-metragem ocorreram nos Estados Unidos, ainda que as filmagens tenham sido feitas no Brasil. De acordo com a perícia, o filme teria custado US$ 13,39 milhões, o equivalente a R$ 75,1 milhões, segundo a taxa de câmbio da época.

Conforme informou a equipe do blog, cinco produtores que trabalham no mercado audiovisual brasileiro ficaram espantados com os gastos elevadíssimos com as etapas iniciais do projeto, bem acima do padrão em produções desse porte.

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De acordo com a perícia encomendada pela Go Up, foram gastos na “soft produção” (uma fase embrionária de definição de questões conceituais do filme) US$ 2,68 milhões, ou 20% do orçamento total de US$ 13,39 milhões, o equivalente a R$ 75,18 milhões no cálculo do perito Anísio Costa Castelo Branco.

Em média, um filme reserva entre 3% a 5% do seu orçamento para essa etapa. Além disso, as filmagens no Brasil custaram menos que o somatório da “soft” e da pré-produção (estágio anterior à gravação, com ensaios de elenco e viagens da equipe para as locações escolhidas).

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Filmagem irregular

Em 28 de julho, a Ancine abriu um processo administrativo e autuou a produtora Go Up Entertainment por irregularidades na gravação do filme.

O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, informa a conduta que levou à intervenção da agência: “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira DARK HORSE sem comunicar o fato à ANCINE.”

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Segundo as regras da agência, a filmagem de uma produção internacional no Brasil deve ser feita sob a responsabilidade de empresa registrada na própria Ancine, que além de comunicar sobre a obra tem que apresentar uma série de documentos, como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado.

Nada disso, no entanto, foi feito pela produtora no caso de “Dark Horse”.

Na prática, com a autuação da Go Up, a Ancine sinaliza a aplicação futura de uma multa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.

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Filme recria facada e debate

A dor de cabeça que “Dark Horse” causou à pré-campanha de Flávio é inversamente proporcional ao “espaço” que o longa-metragem reserva ao senador. Na produção norte-americana, que recria o atentado à faca contra Jair Bolsonaro e a sua vitória nas eleições de 2018, o personagem de Flávio é secundário, com pouquíssimos diálogos – diferentemente do espaço reservado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem um papel muito mais relevante na trama.

O filme recria cenas como um debate presidencial, mas sem usar os nomes dos adversários que enfrentaram Jair Bolsonaro naquele pleito. O autor do atentado em Juiz de Fora (MG) é retratado como um militante de esquerda, mas não se chama Adélio Bispo.

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Um rascunho do roteiro explora a relação de Bolsonaro e Michelle, com cenas do casamento dos dois, o parto da filha Laura e o apoio da mulher durante a campanha eleitoral de 2018.

“As coisas que dizem sobre você... Isso me assusta. Estão tentando provocar alguém para te machucar”, afirma a personagem da ex-primeira-dama, em tom premonitório. “Nossa filha precisa de você. Eu preciso de você.”

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